Carta nº 5: A Saída de Emergência por Augusto Castillo
Ludovica, Esta é a quinta vez que tento te alcançar. A quinta vez que tento vomitar as palavras que ficaram presas na minha garganta por meses, apodrecendo entre meus dentes. Mas antes de qualquer confissão, antes que eu derrube a última barreira, eu preciso saber: como você está? Espero que o turbilhão tenha dado lugar a uma trégua. Espero que sua mente tenha encontrado paz, mesmo que seja aquela paz silenciosa e oca que fica depois de uma guerra longa demais. Agora você sabe que eu caí por você no segundo em que nossos olhos se cruzaram. Mas o amor de verdade? O amor que deixa cicatrizes profundas? Esse aconteceu no cotidiano. Na forma como você dobrava as mangas da blusa, no som do seu sopro no café quente, no jeito que você falava dos seus pais como se estivesse pintando o próprio céu. Eu te amei quando você chorou sem plateia. Te amei quando sua risada soou como uma ferida finalmente fechando. Mas agora vem a parte que eu evitei. A parte que vai nos queimar. Houve um dia em que eu...