Carta nº 1 por Augusto Castillo
Querida Vica, Eu te amei como um incêndio devasta uma floresta. Rápido, voraz, incontrolável. Foi um cerco que não planejei, uma invasão que queimou todas as minhas defesas até não sobrar nada além de cinzas. E agora? Agora sou apenas a fuligem do que fomos, espalhada pelo vento, impregnada na pele de tudo o que toco. Porque, porra, mesmo que as chamas tenham baixado, eu ainda ardo. Eu ainda sou a porcaria da ruína que você criou. Quero que você entenda uma coisa. Leia isso e grave na mente: não foi uma encenação. Cada palavra, cada toque, cada vez que minha boca encontrou a sua... eu quis. Eu quis cada segundo desse caos. Eu quis o calor dos seus dedos entrelaçados nos meus, aquela sensação absurda de que éramos dois estranhos destinados a colidir, mesmo quando o universo inteiro gritava que éramos um erro tático. Você me deu um amor sem amarras. Sem correntes. E isso me aterrorizou mais do que qualquer queda livre. Porque eu sou feito de grades, Vica. Ergui muros tão altos que esquec...