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Mostrando postagens de março, 2025

Carta nº 1 por Augusto Castillo

Querida Vica, Eu te amei como um incêndio devasta uma floresta. Rápido, voraz, incontrolável. Foi um cerco que não planejei, uma invasão que queimou todas as minhas defesas até não sobrar nada além de cinzas. E agora? Agora sou apenas a fuligem do que fomos, espalhada pelo vento, impregnada na pele de tudo o que toco. Porque, porra, mesmo que as chamas tenham baixado, eu ainda ardo. Eu ainda sou a porcaria da ruína que você criou. Quero que você entenda uma coisa. Leia isso e grave na mente: não foi uma encenação. Cada palavra, cada toque, cada vez que minha boca encontrou a sua... eu quis. Eu quis cada segundo desse caos. Eu quis o calor dos seus dedos entrelaçados nos meus, aquela sensação absurda de que éramos dois estranhos destinados a colidir, mesmo quando o universo inteiro gritava que éramos um erro tático. Você me deu um amor sem amarras. Sem correntes. E isso me aterrorizou mais do que qualquer queda livre. Porque eu sou feito de grades, Vica. Ergui muros tão altos que esquec...

Ode à Ruína de Nós Dois - Ella Belizzato

O cheiro de pólvora se misturava a outro, mais fundo, mais doce e podre, um cheiro que não deveria existir num corpo ainda respirando. A chuva entrava pelo teto destruído, e onde a água tocava o mármore branco, o sangue fervia em espirais escuras, se movendo contra a lógica da gravidade. Ilíria estava ajoelhada, as mãos pressionando o peito de Corvinus. Das bordas da ferida, algo pulsava sob a pele dele, um movimento que não tinha nada a ver com o coração. — Corvinus. Olha pra mim. — A voz dela saiu mais dura do que ela queria. — Eu tô olhando. — Ele sorriu, mas o sorriso chegou torto, um lado da boca não obedecendo direito. — Você que não tá olhando pra trás. — Não tem nada atrás de mim. — Eu não disse que tinha. — Os olhos dele fixaram num ponto qualquer, longe demais de onde ela estava. — Só disse que você não tá olhando. Ilíria sentiu a nuca gelar. Resistiu ao impulso de virar o rosto. — Fica comigo. Fala comigo, não fala essas coisas. — Que coisas? — Ele riu, e a risada virou toss...

Proibido na terça-feira - Ella Belizzato

Léo estava encostado no balcão de retirada. Camisa amassada nos punhos, aquela aura de quem domina qualquer ambiente sem esforço nenhum, e o sorriso de canto de boca que deveria ser proibido por lei. O problema era simples: Léo era o braço direito do meu chefe. O cara do outro lado do vidro na empresa, com quem eu precisava manter postura profissional em toda reunião, e que, por algum alinhamento perverso do universo, parecia enxergar exatamente o caos que eu escondia sob o blazer. — Trilha triste pra quem fechou o contrato da semana — ele disse, tirando um dos meus fones sem pedir licença. — É Laufey. Não é triste, é estratégia. — Estratégia. — Ele repetiu a palavra como se estivesse testando o gosto dela. — Você escreve relatório como máquina, toma café como quem vai pra guerra, e no fundo tá aí ouvindo música de amar fantasma? — Não é fantasma. — Cruzei os braços. — É só que eu sei o que eu quero. — E o que você quer? — Alguém que não me trate como um problema de logística. Ele riu,...