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D&D

10 de Janeiro: Esperando pelo "Evento"

  Acho que nunca estive tão sozinha. É o tipo de solidão que ecoa, sabe? Todo santo dia minha mente insiste em projetar o filme de como minha vida seria se eu não tivesse me separado. Mas logo em seguida, eu me proíbo de entrar no modo arrependimento. Se eu tivesse ficado, minha vida seria um tédio previsível. Eu não teria ido ao show do M&K e o Rio de Janeiro seria apenas um destino num feed de Instagram, não uma lembrança na minha pele. Então, tecnicamente, reclamar agora é um desperdício de energia. Mas a verdade nua e crua?  Ser sozinha é um saco. Eu sigo esperando, com uma convicção quase irritante, que alguém me aconteça. Sim, essa é a palavra. "Aparecer" é para amadores. Qualquer um aparece na sua frente na fila do mercado. Eu preciso de alguém que seja um  acontecimento . Um fenômeno. Alguém que não apenas me veja passar, mas que me enxergue de verdade com todos os meus defeitos e essa minha mania de racionalizar tudo. Agora são meia-noite e pouco. Estou num b...
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Nota mental: 2026 não aceita criminosas (mesmo as que não sabem o que fizeram)

               Leia Ouvindo - Growing Pains Sabe aquele final de filme onde o protagonista é jogado na traseira de uma viatura, com aquela cara de "o que foi que eu fiz?" , enquanto a vizinhança inteira assiste de camarote? Pois é. Bem-vindos ao meu dia 30 de dezembro de  2025. Eu me sinto exatamente assim: algemada, condenada por uma série de decisões questionáveis e prestes a ser fichada pelo destino.   A pior parte? Ninguém está realmente olhando, mas o peso da culpa no meu peito é tão real que eu quase consigo ouvir o som das sirenes. Estou escrevendo isso porque decidi que essa energia de "detenta do próprio erro" fica aqui. Não vai passar da meia-noite. Se eu for analisar o VAR, 2025 foi... intenso. Teve menos drama de choro, mas em compensação, o nível de loucura e inconsequência subiu uns dez degraus. Errei? Sim.  Me arrependi? Com certeza. Mas quer saber? Viver deve ser esse caos mesmo.  O truque que eu ainda estou te...

Um pouco sozinha demais - Ella Belizzato

Ninguém te avisa que o primeiro dia depois de encerrar um ciclo parece um pós-jogo que você não pediu pra jogar. Você acorda, olha pro teto, respira… e pensa: “ok. agora eu sou só eu. e eu preciso lidar com isso”. E de repente, qualquer sinal mínimo de interesse genuíno já aciona o modo fuga. Porque antes eu entrava de coração aberto… e levei pancada emocional o suficiente pra aprender que confiar rápido é pedir pra se lascar. Toda vez que alguém vai embora, uma parte da gente vira concreto armado. E o que não vira concreto, a gente empacota e joga longe junto com a pessoa. Dizer adeus ficou simples. Complicado é acreditar que eu mereço alguém que trate o meu mínimo como mínimo… e não como luxo. Eu construí muros. Não cercas. Muros. Altos. Espessos. Sem janela. É meu jeito de não deixar mais ninguém brincar com a minha vulnerabilidade como se fosse brinde de aniversário. E quer saber a parte mais louca? Ser só parece mais seguro. E se isso soa egoísta pra alguém… ótimo. Pelo m...

O eco do que fomos - Ella Belizzato

Hoje, por um capricho da memória, quis escrever-lhe. Não uma vez, nem duas  tantas, que perdi o número. Mas a razão, essa velha conselheira cansada, pôs-se entre mim e o impulso, e nada foi dito. Pensei nele ao perceber que não almoçara. Era ele quem me lembrava dessas miudezas  de comer, de existir. Mais tarde, quando o trabalho me pareceu inútil, senti o mesmo ímpeto: ouvir de novo aquele “vai passar” que, vindo dele, fazia o mundo parecer menos pesado. Ao cair da tarde, quase cedi. O sol escondia-se por trás dos prédios, e eu quase disse o que me doía: que menti, que sentir falta é uma forma discreta de morrer, que aceitaria migalhas, desde que viessem de sua mão. Mas calei-me. Há dignidades que nascem do silêncio  ou da covardia, não sei bem. Abri nossa conversa um sem-número de vezes. Li as palavras antigas como quem consulta um oráculo que já não responde. A blusa dele repousa sobre a cadeira, testemunha muda de uma ausência que se prolonga. Não a devolvi. Talvez po...

Nenhuma de nós esta certa.

  Tem dias em que eu sinto que minha cabeça é uma arena sangrenta. Duas versões de mim se encaram como gladiadoras, afiando as armas enquanto eu tento, em vão, pedir silêncio. Mas silêncio não existe aqui dentro. O que existe é guerra. É sangue. É a sensação de que, não importa quem vença, eu sempre perco um pedaço de mim no processo. E, ainda assim, eu deixo que elas lutem. Porque talvez, no fundo, eu precise da dor para lembrar que estou viva. Leia ouvindo : Bury a friend - Billie Eilish Existem duas versões de mim. Elas moram dentro da minha cabeça e nunca param de brigar. Uma é fria, racional, quase cruel. A outra... a outra é emoção pulsando, um coração que insiste em apanhar só pra provar que ainda bate. A racional prevê a queda antes mesmo de eu dar o primeiro passo. Ela sussurra como quem me mostra um mapa com todas as armadilhas marcadas em vermelho. "Você vai se machucar. De novo. É óbvio. Corre. Some. Fecha a porta antes que seja tarde. Você já sabe o final dessa h...

XVIII de Agosto-25

Leia ouvindo : Here's your perfect -Jamie Miller Ó vós que sois o tormento e a luz de meus olhos, escutai este suspiro que nasce da carne e da alma! Antes mesmo que minhas mãos toquem o papel, meu coração clama por vossa lembrança, e a boca ousa murmurar vosso nome em segredo. Que o céu, cúmplice e cruel, me conceda apenas a lembrança de vosso olhar, pois jamais me foi dado possuir-vos. Eis aqui minha alma exposta, à mercê do capricho do destino, ardendo em cada sílaba, sangrando em cada silêncio e ainda assim, em toda a dor, agradeço o breve instante em que nossos mundos se tocaram. Ó destino cruel, que em vossa astúcia me lançastes diante de um par de olhos castanhos apenas para me condenar ao tormento da memória! Pois, desde o instante em que vossa face se voltou à minha, jurei  não com palavras, mas com o coração em silêncio  que jamais vos esqueceria. Vede como vossa lembrança arde em mim: como se o próprio tempo tivesse parado para pintar em minha alma o retrato do vosso...
 CARTA PARA O MEU NÃO AMOR. Quando você vem? Já se passaram muitas semanas desde a data que a tarologa disse que você viria,acho que eu devo parar de acreditar em tarot

Felicidade essa vagabunda volúvel - Ludovica Russo

A vida não para. Não importa se você tá chorando no chão do banheiro ou encarando o teto como se ele fosse te devolver alguma resposta. O mundo gira, os boletos vencem, os bebês nascem e os velórios continuam a acontecer. A garçonete serve o mesmo café requentado pra estranhos que também fingem estar bem, e ninguém liga que você se sente sozinha. Spoiler : ninguém nunca ligou de verdade. Não tem trilha sonora, não tem câmera lenta. A solidão chega sem avisar e sem flores. Ela se instala como um ex mal resolvido: silenciosa, pegajosa e cheia de razão. A gente cresce achando que vai viver um amor cinematográfico. Que alguém vai entrar na nossa vida com cara de “bad boy reformado” e dizer com aquele sorrisinho torto: “eu escolhi você” . Que a gente vai se encaixar no peito de alguém e, magicamente, todos os nossos traumas vão se dissolver feito açúcar no café quente. Mas a realidade? O amor não é um mocinho de comédia romântica. Ele some, bloqueia, visualiza e não responde. Ele diz “vo...
Ela falava rápido, como se o mundo estivesse atrasado e só ela acertasse o relógio. E eu… eu era feito de silêncio, de olhares tortos, de cigarro aceso com raiva por sentir demais. Mas da primeira vez que a vi, ela ria. Ria de algo que eu não escutei, mas o som daquele riso ficou gravado na minha memória — a trilha sonora perfeita de um filme que termina em beijo na chuva. Vestia um amarelo que poderia ser o sol buscando abrigo no corpo dela. E eu pensei: — Fudeu. Ela falava de amor como quem fala de vinho: levemente embriagada, mas com os pés no chão. O corpo, um convite. A mente, uma armadilha. A boca dizia: “Sou desapegada.” Mas o olhar dela queria alguém que ficasse. Eu tentei bancar o durão. Sabe aquele tipo que responde “tanto faz” e parece inabalável? Pois é. Ela leu minha alma em três mensagens. Virou pra mim e disse: — Você posa de forte, mas tem um coração com alarme sensível. E como diabos ela sabia? Descobri que ela tinha o riso fácil, a piada pronta, a vontade de fu...

Nota Fiscal do Amor: Aguardando Emissão - Ludovica Russo

Às vezes a gente se apaixona primeiro pela ideia... e depois torce pra pessoa dar conta da expectativa."  Notas de uma geminiana que sente demais, pensa dobrado e finge controle absoluto sobre tudo (inclusive o coração). Domingo. Aquele dia da semana que parece um intervalo entre a realidade e o devaneio. O dia em que até minha lua em Capricórnio tira folga do autocontrole, meu ascendente em Virgem suspende os protocolos emocionais e minha alma geminiana decide escrever uma carta  pra você. Você, que ainda não tem nome, nem cheiro, nem arroba no Instagram. Mas que, misteriosamente, já mora nas entrelinhas das minhas playlists melancólicas e nos cenários dramáticos que crio na minha cabeça enquanto lavo a louça (porque, sim, até meu romantismo é multitarefa). Essa é a minha carta para o quase. O talvez. O “ainda não, mas tomara que sim”. Um texto sobre o caos delicadamente roteirizado de imaginar um amor antes dele acontecer  com toques de sarcasmo, introspecção e um vinho...