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O Minimalista e o Meu Doutorado em Erros

O cheiro da noite era baunilha com pitada de imprudência. Aquelas notas doces e disfarçadamente lascivas que avisam: “garota, você já sabe no que vai dar.” Passei o perfume como quem acende vela em ritual de proteção uma borrifada nos pulsos, outra atrás da orelha, e a terceira, supersticiosa e teimosa, no peito. O céu tinha aquela cor azul escuro que só aparece quando a cidade quer seduzir, e cada passo meu até o carro parecia um “ok, talvez isso não seja uma boa ideia” vestido de salto alto e batom vermelho cereja. Isaac  com I mudo e promessas em volume máximo era o tipo de cara que lê horóscopo no café da manhã e acha que Vênus em Câncer justifica te chamar pra um jantar em casa... na primeira vez . E eu? Eu sou romântica, mas com PhD em desconfiança e especialização em "isso vai dar merda". Só que ele lembrava do nome do meu cachorro, do meu sabor de pizza favorito e dizia meu nome com aquele sotaque de filme cult inglês como se cada sílaba tivesse sido escolhida a dedo...

Nota mental: 2026 não aceita criminosas (mesmo as que não sabem o que fizeram)

               Leia Ouvindo - Growing Pains Sabe aquele final de filme onde o protagonista é jogado na traseira de uma viatura, com aquela cara de "o que foi que eu fiz?" , enquanto a vizinhança inteira assiste de camarote? Pois é. Bem-vindos ao meu dia 30 de dezembro de  2025. Eu me sinto exatamente assim: algemada, condenada por uma série de decisões questionáveis e prestes a ser fichada pelo destino.   A pior parte? Ninguém está realmente olhando, mas o peso da culpa no meu peito é tão real que eu quase consigo ouvir o som das sirenes. Estou escrevendo isso porque decidi que essa energia de "detenta do próprio erro" fica aqui. Não vai passar da meia-noite. Se eu for analisar o VAR, 2025 foi... intenso. Teve menos drama de choro, mas em compensação, o nível de loucura e inconsequência subiu uns dez degraus. Errei? Sim.  Me arrependi? Com certeza. Mas quer saber? Viver deve ser esse caos mesmo.  O truque que eu ainda estou te...

O Jogo Perdido (ou: A Cilada do "Coroão" Misterioso)

Leia ouvindo : Why’d You Only Call Me When You’re High – Arctic Monkeys Se o Melchiorre foi um aquecimento ruim, o Calahan foi aquele jogo de campeonato onde o seu time nem entra em campo. O nome? Sexy. Calahan soa como um lorde britânico ou um agente da CIA que vai te salvar de um sequestro em uma noite de neblina. Na vida real, ele era apenas um cara de quarenta e poucos anos que mandava "bom dia" como se fosse bater ponto no RH da minha carência. Passamos semanas naquela tensão virtual, trocando mensagens que prometiam um banquete, mas que, no fundo, mal entregavam um lanche natural. O Convite (O "Audível" de Última Hora) Sábado à noite. Eu estava no supermercado, no auge do meu glamour entre o corredor de amaciantes e o de papel higiênico, quando o celular vibrou. Dessa vez, não foi texto. Foi um áudio. A voz era grave, calma, o tipo de voz que te faz pensar em lençóis de fios egípcios e decisões impulsivas. “Tava pensando em beber algo... anima?” A chama acende...

O Erro (ou: Como Não Ter um Date de Sábado)

Leia ouvindo : Paparazzi - Lady Gaga Existem níveis de ruindade para um encontro, e o Melchiorre acabou de inaugurar uma categoria nova: o "Puta que pariu, eu podia estar dormindo" . Tudo começou com um nome de batismo que parecia ter saído de um romance histórico de banca de jornal. Melchiorre. O cara era uma enciclopédia ambulante: engenheiro, professor, educador físico e escritor. No papel? Um partido. Na vida real? Um combo do McDonald's que vem sem o hambúrguer e com a batata murcha. O "Aquecimento" Sábado, duas da tarde. Eu estava naquela vibe pós-banho, alma limpa, pronta para o meu ritual de beleza que envolve mais paciência do que eu dedico à minha vida financeira. Toalha na cabeça, hidratante no corpo e uma playlist de confiança. O celular vibra. “Melchiorre mandou 2 mensagens.” Ele queria cinema. Às 21h20. Com direito a drinks antes. Olhei para o espelho e pensei: Por que não? Eu estava em uma seca emocional tão grande que até um cara que se recusa a...

O risco de imaginar você

Dizem que o primeiro sinal de derrota é começar a decorar um terreno que você ainda não conquistou. E aqui estou eu, em pleno domingo, agindo como se estivesse mapeando o território inimigo, quando, na verdade, estou apenas escrevendo para um fantasma. É domingo. O dia em que a minha armadura de eficiência aquela que meu ascendente em Virgem poliu com tanto cuidado começa a apresentar rachaduras. Minha lua em Capricórnio está gritando para eu voltar a organizar planilhas, mas minha alma geminiana? Ela é uma rebelde sem causa que decidiu abrir um vinho e convocar você para o papel principal de um roteiro que ainda nem saiu da primeira página. Você. O cara que não tem nome, nem rosto, nem um @ para eu investigar até descobrir o nome do seu primeiro cachorro. Mas você já está aqui, infiltrado nas minhas playlists e bagunçando o silêncio do meu apartamento enquanto eu enceno diálogos mentais entre um gole e outro. Essa é a minha bandeira branca para o "quase". O meu reconheciment...

Carta nº 5: A Saída de Emergência por Augusto Castillo

Ludovica, Esta é a quinta vez que tento te alcançar. A quinta vez que tento vomitar as palavras que ficaram presas na minha garganta por meses, apodrecendo entre meus dentes. Mas antes de qualquer confissão, antes que eu derrube a última barreira, eu preciso saber: como você está? Espero que o turbilhão tenha dado lugar a uma trégua. Espero que sua mente tenha encontrado paz, mesmo que seja aquela paz silenciosa e oca que fica depois de uma guerra longa demais. Agora você sabe que eu caí por você no segundo em que nossos olhos se cruzaram. Mas o amor de verdade? O amor que deixa cicatrizes profundas? Esse aconteceu no cotidiano. Na forma como você dobrava as mangas da blusa, no som do seu sopro no café quente, no jeito que você falava dos seus pais como se estivesse pintando o próprio céu. Eu te amei quando você chorou sem plateia. Te amei quando sua risada soou como uma ferida finalmente fechando. Mas agora vem a parte que eu evitei. A parte que vai nos queimar. Houve um dia em que eu...

Carta nº 4 : A anatomia dos detalhes por Augusto Castillo

  Leia ouvindo : To Build a Home Vica, Na última carta, meus dedos tremiam tanto que não sei se o que molhou o papel foi suor ou as lágrimas que jurei que não deixaria cair. Para te explicar como chegamos ao fim, eu preciso voltar ao centro do furacão. E voltar, Vica, é como abrir uma caixa de munição antiga: ainda tem cheiro de pólvora, ainda tem peso, ainda pode explodir na minha cara. Dói. Mas você sempre mereceu a verdade nua, mesmo quando eu me escondia atrás de barricadas de silêncio. Depois daquele primeiro beijo, nos tornamos inseparáveis. Foi um pacto selado no escuro, algo que minha alma reconheceu antes que minha mente pudesse processar o perigo. Nossos horários eram um campo de batalha você cantando nas noites, eu trabalhando até os ossos durante o dia  mas a gente dava um jeito. As chamadas de vídeo viraram meu único oxigênio. Ver você rindo do outro lado da tela era a única coisa que me fazia sentir que eu ainda tinha uma casa para onde voltar. Minhas viagens de ...