Onde o mar me afoga - Ella Belizzato


Amar você não é uma escolha; é uma sentença de morte que eu assinei com as mãos trêmulas e o peito aberto. A verdade é uma lâmina forjada no gelo que corta direto no osso: eu quero o seu exército inteiro, suas batalhas e suas cicatrizes, enquanto você me oferece apenas as ruínas do que sobrou.

Eu me pego desenhando mapas de um futuro que você se recusa a conquistar. Vejo as glórias que poderíamos ter, as cicatrizes que curaríamos juntos, o fogo que poderíamos acender no meio do inverno. Mas você? Você é o silêncio antes da avalanche. Você não vê o horizonte. Você não sente o tremor sob os pés.

O amor deveria ser uma construção lenta, um muro erguido pedra sobre pedra, mas com você, eu derrubaria todas as minhas defesas de uma vez.

Eu saltaria do parapeito mais alto sem olhar para baixo, mergulhando em águas traiçoeiras e escuras, enquanto você... você é o tipo de homem que testa a profundidade com a ponta da bota, medindo o risco, calculando a fuga antes mesmo de sentir o frio da água. Eu me afogaria com prazer se isso significasse que suas mãos estariam em volta das minhas, mas você não estenderia o braço para me puxar.

Eu construiria um reino à beira-mar só para ouvir o timbre da sua voz reclamando do sal na pele. Eu sou viciada no movimento dos seus lábios quando você luta para ter razão e eu entregaria todas as minhas vitórias só para manter você falando. Sua teimosia é o veneno que eu bebo de bom grado, mesmo quando ela queima.

Mas a parte mais cruel dessa guerra é como eu me aniquilo por você. Em uma sala cheia de gente, meus instintos estão sintonizados na sua frequência, desesperados por um sinal de que eu não sou invisível. E quando estamos a sós? Eu me transformo em uma saqueadora de migalhas. Eu me alimento dos seus olhares passageiros como se fossem promessas de lealdade, quando são apenas distrações no seu caminho.

Eu me apaixonei por um fantasma. Uma versão de você que eu esculpi nos vãos da sua armadura, baseada nas sombras das suas guerras passadas. É uma traição contra mim mesma: eu sorrio e digo que o desapego é minha arma, enquanto meu coração bate em retirada, implorando para você fincar sua bandeira e ficar.

Mas não. Você está sempre com os olhos no horizonte, pronto para a próxima retirada, com os cavalos selados para o próximo trem.

E eu? Eu permaneço na linha de frente.

Mesmo sabendo que, quando a poeira baixar, eu serei a única sobrevivente em um campo de batalha vazio.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Nota mental: 2026 não aceita criminosas (mesmo as que não sabem o que fizeram)

O risco de imaginar você

Cartas para Augusto - 1