O espinho no punho
Aos dezessete anos, eu descobri que o céu pode ser a coisa mais honesta do mundo quando você para de esperar que alguém o divida com você. Meu peito não estava sendo canibalizado, estava sendo esvaziado do que não me servia mais. A solidão não era um predador; era um treinador brutal, me obrigando a aprender uma verdade que eu ainda não tinha coragem de aceitar: eu nunca fui rascunho de ninguém. Eu sempre fui o documento final. Só que na época eu ainda não sabia disso, então aceitei migalhas. Aceitei afeto embrulhado em arame farpado e chamei de banquete. Lixei minhas próprias arestas tentando caber em molduras pequenas demais pra minha intensidade. Isso não era amor. Era treino. E eu aprendi rápido. Hoje, aos vinte e quatro, não tenho nó nenhum na garganta, tenho clareza. Parei de perguntar se o defeito de fabricação sou eu. Não sou. Nunca fui. Quem trata coração como sala de espera é quem não sabe reconhecer um lar quando encontra um. Meu melhor amigo dizia "calma, você só tem d...