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Mostrando postagens de janeiro, 2025

O espinho no punho

Aos dezessete anos, eu descobri que o céu pode ser a coisa mais honesta do mundo quando você para de esperar que alguém o divida com você. Meu peito não estava sendo canibalizado, estava sendo esvaziado do que não me servia mais. A solidão não era um predador; era um treinador brutal, me obrigando a aprender uma verdade que eu ainda não tinha coragem de aceitar: eu nunca fui rascunho de ninguém. Eu sempre fui o documento final. Só que na época eu ainda não sabia disso, então aceitei migalhas. Aceitei afeto embrulhado em arame farpado e chamei de banquete. Lixei minhas próprias arestas tentando caber em molduras pequenas demais pra minha intensidade. Isso não era amor. Era treino. E eu aprendi rápido. Hoje, aos vinte e quatro, não tenho nó nenhum na garganta, tenho clareza. Parei de perguntar se o defeito de fabricação sou eu. Não sou. Nunca fui. Quem trata coração como sala de espera é quem não sabe reconhecer um lar quando encontra um. Meu melhor amigo dizia "calma, você só tem d...

Profundida Abissal

Leia ouvindo : Soft Core - The Neighbourhood Ela não era apenas barulhenta; ela era uma interferência magnética no silêncio de qualquer um. Imagine um rádio estourando no volume máximo em uma estrada deserta, ou um trovão que rasga um céu de brigadeiro sem aviso prévio. Ela não pedia licença para existir; ela simplesmente acontecia, deixando marcas como queimaduras de frio intensas, persistentes e impossíveis de ignorar. Inexplicável. Caótica. Totalmente irresistível. Ela era o tipo de enigma que você não decifra na primeira leitura, nem na segunda. Era um espetáculo inteiro de emoções cruas que te fazia rir, sangrar e questionar sua própria sanidade ao final do ato. Ela era a colisão frontal entre um solo de guitarra distorcido e a delicadeza de uma poesia acústica. Podia acelerar seu pulso com a batida de um funk ou estilhaçar sua armadura com um acorde de sertanejo. Nela, o contraste não era um defeito, era o design original. Ela não era uma noite de trégua; era o cheiro de tempesta...