O espinho no punho
Aos dezessete anos, eu descobri que o céu pode ser a coisa mais solitária do mundo quando você o encara através de lágrimas que queimam como combustível de jato. Meu peito não estava apenas doendo; ele estava sendo canibalizado. A solidão não era uma sombra; era um predador com garras de titânio, sussurrando que eu era um rascunho malfeito, alguém que nunca seria o destino final de ninguém. Por medo desse monstro, eu aceitei esmolas. Aceitei migalhas de afeto embrulhadas em arame farpado e chamei de banquete. Eu me despedacei, lixando minhas arestas até sangrar, tentando me encaixar em molduras que nunca foram projetadas para a minha intensidade. Tentar ocupar um espaço que não é seu não é amor; é uma rendição lenta que te deixa em carne viva. Hoje, aos vinte e quatro, o nó na minha garganta é um laço que aperta a cada batida do coração. Sou divorciada, sou mãe, carrego uma alma que é uma tempestade elétrica constante e a dúvida me rasga mais do que qualquer adeus: será que o defeito d...