Manifesto de guerra pessoal
Talvez essa seja a missão mais perigosa que já aceitei: infiltrar-me na minha própria história. Escrever sobre mim não é um exercício de ego; é um reconhecimento de danos em um território que deixei de governar há muito tempo. Alguém me perguntou do que eu gostava e o silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Eu travei. Fiquei paralisada como um soldado diante de uma arma descarregada. Percebi que eu era uma colagem de retalhos, um Frankenstein emocional costurado com as preferências dos outros, opiniões recicladas e sonhos que nunca foram meus. Eu era o eco de todo mundo, menos a minha própria voz. Mas o cerco acabou. Eu estou queimando os mapas antigos para desenhar os meus. Se você quer saber quem eu sou, sem as defesas e sem o disfarce da calmaria, preste atenção: eu sou o caos que aprendeu a mimetizar a paz. Sou viciada em cafeína e em livros que estraçalham minha alma com precisão militar. Amo a chuva porque ela é a única que tem permissão para ser tão melancólica quanto eu sem pe...