Foi numa sexta-feira que eu renasci.
Descobri que a vida não tinha acabado que aos 24 anos eu ainda era um rascunho aberto, livre para errar, recomeçar, dar certo. Que o mundo lá fora ainda guardava pores do sol que eu nem imaginava, e amanheceres inteiros esperando para me ver chegar despenteada, com o coração na mão e os olhos brilhando.
Foi numa sexta-feira que eu entendi que a vida é boa, mesmo quando dói, mesmo quando parece não fazer sentido. Que eu mereço rir até a barriga arder, até faltar o ar, até não sobrar espaço para a tristeza. Descobri que não há nada de errado em ser um pouco louca, em sentir tudo como se cada emoção fosse a última. A intensidade sempre foi a parte mais bonita de mim é ela que costura minha história, que pinta cada capítulo com cores vivas. Sem ela, quem eu seria?
Foi numa sexta-feira, um dia depois de duvidar se tudo isso valia a pena, que eu percebi: ser assim me trouxe até aqui. E que sorte a minha. Porque aqui é exatamente onde eu deveria estar.
Eu sou o incêndio e a brisa, o caos e a poesia. Eu sou a mulher que ainda vai se perder mil vezes só para se encontrar de novo e que bom.
Quase 25 anos para entender que ser Ludovica nunca foi uma cruz sempre foi um privilégio.
Que honra carregar na pele, na alma e no coração os mais lindos princípios que me ensinaram. Que sorte a minha sentir o amor transbordando em cada gesto, em cada olhar, em cada palavra dita sem medo de parecer demais. Porque ser demais é o meu jeito de existir.
Passei a vida achando que sentir tudo como uma avalanche era fraqueza, quando na verdade sempre foi a minha força. Amar até doer, me entregar sem reservas, pedir desculpas quando errei, ceder quando meu coração gritava que valia a pena. Ser vulnerável nunca foi fraqueza foi coragem.
Eu sinto. Eu sinto tudo. Eu sinto o mundo na pele. Eu sinto quando me olham, quando me amam, quando me ferem. Eu sinto a dor do outro como se fosse minha e o amor como se fosse eterno, mesmo quando não é.
Já quis ser menos, já quis caber dentro de uma versão mais fácil de mim mesma. Mas hoje... hoje eu olho no espelho e vejo uma mulher que vive cada segundo como se a vida fosse um sopro, porque é. Uma mulher que foi abençoada com um coração que nunca aprendeu a amar pela metade.
Tenho orgulho de ser quem sou intensa, entregue, emocional até o último fio de cabelo. Tenho orgulho de cada lágrima que já chorei, de cada vez que não fui embora quando poderia ter ido, de cada vez que escolhi o amor mesmo quando o mundo dizia que era burrice.
Ser Mickaella é sentir na pele, no peito e na alma. É viver tudo, sempre, como se fosse a última vez.
E se tem algo que eu nunca mais vou querer ser... é menos.
Espero que ainda dê tempo.
Tempo de me encontrar onde tantas vezes me perdi.
Tempo de me estender a mão quando eu mesma me deixei para trás.
Tempo de abraçar quem eu passei a vida toda tentando reprimir, esconder, silenciar.
Espero que ainda dê tempo de me olhar com o mesmo amor que eu vejo os outros com aquela ternura inteira, sem julgamentos, sem pressa para consertar o que nunca esteve quebrado.
Espero que ainda dê tempo de fazer as pazes comigo.
De ser abrigo, não batalha.
De entender que nunca fui minha inimiga só estava tentando sobreviver.
Espero que ainda dê tempo de me amar com o amor feroz que eu derramo em todo mundo, menos em mim.
De encher minhas próprias mãos com tudo o que sempre esperei receber de volta.
Espero que ainda dê tempo de me celebrar.
De erguer um brinde à mulher que eu sou hoje mesmo com todas as falhas, mesmo sem ter todas as respostas.
De dançar pela mulher que eu quero ser mesmo que ela ainda esteja nascendo.
Espero que ainda dê tempo de me perdoar pelas vezes que me calei, que me apaguei, que me deixei para depois.
Espero que ainda dê tempo de recomeçar.
Seja tarde ou não... eu estou aqui agora.
E talvez isso já seja suficiente.
Eu amaria alguém como eu.
Sem hesitar.
Sem pensar duas vezes.
Eu amaria alguém que sente tudo tão profundo a ponto de doer. Que se perde em detalhes que ninguém mais percebe. Que dança na própria tempestade mesmo tremendo por dentro. Que chora enquanto cuida. Que se quebra, mas ainda assim se levanta para juntar os cacos de todo mundo antes de pensar nos seus próprios.
Eu amaria alguém que carrega o mundo nas costas e ainda pede desculpas por não conseguir carregar mais. Alguém que escolhe ficar mesmo quando já foi embora por dentro. Que ama mais do que deveria, mesmo quando não recebe nem metade de volta.
Eu amaria alguém que se reconstrói sozinha, noite após noite, e acorda no dia seguinte como se não estivesse em ruínas.
Então... eu me amo.
Não com a arrogância que essa frase pode parecer carregar, mas com a verdade crua de quem finalmente entendeu que merecia ter sido amada assim desde o começo.
Eu me amo como eu gostaria de ter sido amada.
Com gentileza.
Com paciência.
Com admiração por tudo que sou, mesmo nas partes que ninguém vê.
Eu me amo por cada vez que me perdoei por sentir demais.
Por cada lágrima que sequei sozinha.
Por cada queda que ninguém aplaudiu quando eu levantei.
Eu me amo por ainda acreditar no amor, mesmo quando ele me rasgou inteira.
Eu me amo por não ter desistido de mim, mesmo quando todo mundo já tinha ido embora.
Com carinho,
Ludovica