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10 de Janeiro: Esperando pelo "Evento"


 

Acho que nunca estive tão sozinha. É o tipo de solidão que ecoa, sabe? Todo santo dia minha mente insiste em projetar o filme de como minha vida seria se eu não tivesse me separado. Mas logo em seguida, eu me proíbo de entrar no modo arrependimento. Se eu tivesse ficado, minha vida seria um tédio previsível. Eu não teria ido ao show do M&K e o Rio de Janeiro seria apenas um destino num feed de Instagram, não uma lembrança na minha pele. Então, tecnicamente, reclamar agora é um desperdício de energia.

Mas a verdade nua e crua? Ser sozinha é um saco.

Eu sigo esperando, com uma convicção quase irritante, que alguém me aconteça. Sim, essa é a palavra. "Aparecer" é para amadores. Qualquer um aparece na sua frente na fila do mercado. Eu preciso de alguém que seja um acontecimento. Um fenômeno. Alguém que não apenas me veja passar, mas que me enxergue de verdade com todos os meus defeitos e essa minha mania de racionalizar tudo.

Agora são meia-noite e pouco. Estou num bar, sozinha, terminando minha segunda cerveja. Planejo ir embora em breve, mas por enquanto, sou só eu e meu livro. Existe uma beleza estranha e lúcida em observar o mundo sem estar completamente bêbada (o que é uma escolha poética, mas também financeira, convenhamos).

Só espero que esse "alguém" não demore muito. A solidão está começando a pesar, e eu realmente não posso me dar ao luxo de chorar agora. Lágrimas custam caro e, honestamente? Elas acabariam estragando minhas lentes de contato.


Ps : Sério, universo. Que esse acontecimento comece logo. Meu cronograma agradece.