Risco - Ella
Eu amo como quem se afoga
de olhos abertos
escolhendo a onda,
sabendo que ela não pergunta
se eu sei nadar.
Não é o amor que me assombra.
É o depois dele.
É a pergunta que bate junto com meu peito,
baixinho, sem trégua:
e se um dia não bastar?
Eu já dei tudo o que sou.
Cada sorriso, uma chama.
Cada chama, uma aposta
contra o vento que pode vir
e apagar tudo
sem pedir licença.
Meu maior medo não usa nome.
Ele usa o rosto de você
olhando pra trás
só por um segundo
o suficiente pra eu entender
que fui o centro
de um mundo
que já estava de saída.
Há noites em que me pergunto
se era mais sábio ter guardado uma parte,
ter deixado uma porta entreaberta,
um plano B pro meu próprio coração.
Mas eu nunca soube amar em rascunho.
Eu só sei na versão final,
sem cópia de segurança.
Não existe meio-termo em mim.
Eu me entreguei inteira,
e inteira é a única forma
que eu conheço de existir
dentro de alguém.
Talvez o medo e o amor
sejam a mesma correnteza
e talvez eu só tenha aprendido
que amar assim, sem rede,
é o risco mais bonito
que eu já tive coragem
de correr.
Comentários
Postar um comentário