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Mostrando postagens de janeiro, 2025

Ficando sóbria de você

Leia ouvindo : From the Dining Table – Harry Styles “Algumas histórias não precisam durar para serem inesquecíveis.” Quatro dias. Quatro malditos dias. Parecem semanas. Meses. Um universo inteiro de silêncio. Quatro dias sem ele, e não  ele não morreu. Quem morreu fui eu. Ou pelo menos, a parte de mim que ainda acreditava que a gente podia dar certo. Nosso ciclo acabou. Sem aviso. Sem glamour. Só aquela sensação sufocante de que o chão abriu e eu fui a única a cair. E o pior? Eu ainda sinto. Sinto falta do jeito que ele me olhava antes de dizer alguma bobagem. Do riso dele  aquele som que tinha o poder de costurar o que a vida rasgava. Agora esse som vive só na minha cabeça, ecoando entre os espaços que ele deixou vazios. As últimas palavras dele? Cortaram mais do que qualquer briga que já tivemos. Foram frias. Cirúrgicas. Como se ele estivesse arrancando com as próprias mãos tudo o que a gente era, e jogando fora sem olhar pra trás. E eu? Eu fiquei com os cacos. Tent...

A Melodia Silenciosa da Solidão

Eu tinha 17 anos. Deitada na cama, olhando para o céu pela janela, senti as lágrimas queimarem meu rosto enquanto caíam. Meu peito se apertava como se algo estivesse sendo arrancado de dentro de mim, e eu chorava com a força de quem tenta segurar o que já não existe. Sempre tive um medo profundo da solidão. Ela não era apenas uma sombra. Era um monstro com garras afiadas que rasgava minha pele e sussurrava em meu ouvido que eu nunca seria suficiente. Por esse medo, eu teria aceitado qualquer coisa. Um pedaço de amor, migalhas de atenção, mesmo que viessem embrulhadas em dor. Eu me agarrava a isso porque era melhor que o vazio. Mas a solidão tem sua própria crueldade. Ela não apenas dói. Ela corrói. Queima como ácido, escorrendo lentamente pelas rachaduras da alma. Passei anos tentando me moldar a vidas que nunca foram minhas. Despedaçando-me em fragmentos para caber nos outros, como se isso pudesse me fazer inteira. E agora, aos 24 anos, sentada diante de mais uma janela, sinto o nó na...

Ela, Horizonte de Contradições

Leia ouvindo : Soft Core - The Neighbourhood Ela era barulhenta. E não do jeito incômodo  do tipo que te faz sorrir no meio do silêncio. Era como uma música alta estourando no rádio quando você não espera. Como um trovão no céu claro, que chega sem pedir licença. Ela tinha aquele tipo raro de presença que deixava marcas: risadas que vinham no meio de conversas sérias, o gosto gelado do café em dias escaldantes, uma chuva que caía mesmo com o sol brilhando. Inexplicável. Meio confusa. Totalmente irresistível. Você não a entendia de primeira. Nem de segunda. Ela era o tipo de pessoa que confundia, mas também fascinava. Um musical inteiro  e não desses moderninhos, mas um daqueles que fazem você rir, chorar e se perguntar se não deveria ligar pra sua terapeuta no fim. Ela misturava o caos de um show de rock com o aconchego de uma playlist de MPB. Podia fazer seu coração dançar com um samba ou quebrar com um sertanejo. Uma dualidade ambulante. E, ainda assim, nada nela parecia ...